"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre" (Paulo Freire).
EDUCAÇÃO NO BRASIL, NUMA ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA
Professor Ademir Rodrigues Pereira
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos queum país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Pesquisas na área educacional apontam que um terço dos brasileiros frequenta diariamente a escola (professores e alunos). São mais de 2,5 milhões de professores e 53 milhões de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino. Estes números apontam um crescimento no nível de escolaridade do povo brasileiro, fator considerado importante para a melhoria do nível de desenvolvimento de nosso país.
Outra notícia importante na área educacional diz respeito ao índice de analfabetismo. O Censo de 2010 (IBGE) mostra uma queda no índice de analfabetismo em nosso país nos últimos doze anos (2000 a 2012). Em 2000, o número de analfabetos correspondia a 13,63% da população (15 anos ou mais de idade). Esse índice caiu para 9,6% em 2012. Ou seja, um grande avanço, embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Esta queda no índice de analfabetismo deve-se, principalmente, aos maiores investimentos feitos em educação no Brasil nos últimos anos. Governos municipais, estaduais e federais têm dedicado uma atenção especial a esta área. Programas de bolsa educação têm tirado milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem nos bancos escolares. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) também tem favorecido este avanço educacional.
Tudo isto, aliado a políticas de valorização dos professores, principalmente em regiões carentes, tem resultado nos dados positivos.
Outro dado importante é a queda no índice de repetência escolar, que tem diminuído nos últimos anos. A repetência acaba tirando muitos jovens da escola, pois estes desistem. Este quadro tem mudado com reformas no sistema de ensino, que está valorizando cada vez mais o aluno e dando oportunidades de recuperação. As classes de aceleração também estão dando resultados positivos neste sentido.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em 1996, trouxe um grande avanço no sistema de educação de nosso país. Esta lei visa tornar a escola um espaço de participação social, valorizando a democracia, o respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. A escola ganhou vida e mais significado para os estudantes.
De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) sobre a educação:
Art.1. A educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
Art.2 A educação, dever da família e do Estado, inspiradas nos princípios de liberdade e nas ideias de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, CNE /CEB,1999).
Nas sociedades tradicionais, a estabilidade da organização política, produtiva e social, garantia um ambiente educacional estável. Agora, a velocidade acentuada no progresso científico e tecnológico e da transformação dos progressos de educação torna o conhecimento rapidamente superado, exigindo-se uma atualização continua e colocando novas exigências para a formação do cidadão.
A comissão internacional sobre educação para o século XXI, incorporadas nas determinações da lei n 9.394/96:
a) a educação deve cumprir um triplo papel: econômico, cientifico, e cultural.
b) a educação deve ser estruturada em quatro alicerces: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser. (BRASIL, CNE / CEB / 1999:31) A consolidação do Estado democrático, as novas tecnologias e as mudanças na produção de bens, serviços e conhecimento, exigem que a escola possibilite aos alunos integrarem-se ao mundo contemporâneo nas dimensões fundamentais da cidadania e o trabalho.
Num mundo cada vez mais competitivo e excludente, engendra a ideia de que somente os mais preparados terão êxitos. Portanto, nesse processo de transformação política, econômica e social, não se pode eximir o papel da educação como mediador de conflitos e produtora de uma sociedade capaz de superar seus obstáculos. A educação atual deve preparar o aluno à qualificação de conhecimento básico, à preparação cientifica e à capacidade para usar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação.
Analisando o processo educacional, numa perspectiva mais globalizada e menos operacional (normas, leis, pareceres, etc.), percebemos que a educação e o acesso constante à informação são cada vez mais indispensáveis para combater a exclusão social.
De acordo com Fonseca (2003, p. 213):
[...] não é possível desenvolver um país se não se aprimora sua educação. Daí a grande importância do sistema educacional como estratégia, tanto na formação tecnológica adequada, como também na preparação de recursos humanos qualificados, fatores essenciais para que uma sociedade atue dinamicamente neste sistema de economia globalizada.
A educação pode ser considerada como um bem público e seus benefícios devem atingir toda a sociedade, contribuindo para o melhoramento da mesma. Assim, talvez um dos maiores desafios da educação brasileira seja: “formar um cidadão consciente e critico capaz de participar e de usufruir dos meios, acessível em diversas linguagens”.
Sabemos da importância da educação no combate mais efetivo a pobreza e as desigualdades sociais. Assim entenderam que a educação se inscreve como um requisito indispensável para garantir cidadania e como condição central para que uma sociedade possa construir um projeto político, econômico e social que assegure uma vida de respeito a seus membros.
Não é possível tratarmos de educação sem inserir nesse contexto todos os seus atores (sociedade, instituições políticas, famílias e professores), Edgar Morim comenta que “a sociedade, como todo, está presente em cada individuo, na sua linguagem, em seu saber, em suas obrigações e em suas normas” (2005, p.36). Acredita-se que a sociedade tem se despertado para a necessidade de discutir e envolver-se em prol de melhorias no contexto educacional.
É interessante salientar que os projetos socioeducativos voltados às crianças e adolescentes vulnerabilizados pela pobreza, nasceram nas comunidades brasileiras por iniciativa da sociedade civil e não pela mão do Estado. Mostrando assim, que nesse contexto, o Estado já não é mais o agente executor exclusivo da ação pública da educação (como no período regencial e parte do período republicano), mas ente central na sua regulação. Não obstante, a educação continua sendo um tema tratado no seio político, embora com resultados ainda não satisfatórios. Morin (2005, p. 199) comenta que “a educação, num tempo histórico relativamente curto, passou de um obscuro domínio da política doméstica a um tema central dos debates políticos, tanto no plano nacional como no internacional”.
Comentando a complexidade das políticas educacionais, acredito que a educação é um caminho ou oportunidade que “conduz a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras...”.
O discurso político sobre educação é sintetizado por Fonseca (1975, p. 123) “o discurso público e político sobre a educação é muito marcado pelo que o cidadão comum lhe atribui como sendo o seu objetivo maior, o aperfeiçoamento da sociedade; Educação converge todas as grandes aspirações sociais”.
Não se pode mais pensar na abstração do processo educacional, pensar numa educação abrangente, produtiva e transformadora que faz parte da construção e de um novo modelo educacional, modelo este que necessita quebrar preconceitos, aferir valores e buscar soluções. Reiterando que a educação é um “bem público” é imprescindível o envolvimento de todos os atores sociais, no processo de construção de uma infraestrutura educacional que ofereça ensino de qualidade. O cenário é o da articulação da comunidade. Portanto, alunos, famílias, e profissionais da educação, com segmentos (agências locais, entidades governamentais e não governamentais entidades religiosas, voluntárias, etc.) que se tenha como meta a mobilização da busca de soluções.
Nesse sentido, não poderíamos deixar de destacar o papel da Instituição escolar.
Fonseca (2003, p. 112), abordando essa questão, afirma que a escola precisa ser compreendida em vários ângulos.
Não se trata apenas de um reflexo do funcionamento da economia, da sociedade e das exigências ideológicas da classe dominante, mas de um local de trabalho, focalizando os conflitos de classe e as formas culturais que exercem um papel contraditório não apenas na reprodução e na distribuição, mas também na produção de conhecimento (FONSECA, 2003, p.34-35).
A educação contemporânea (especificamente brasileira) passa por crises e momentos nebulosos, todavia, há uma mobilização na busca de uma melhor compreensão e atuação do sistema educacional frente à realidade vigente. Nesse processo de crescimento, cobrança e expectativa (somadas as frustrações) não se pode prescindir a “figura do professor”. Como ator direto desse processo, o sistema educacional necessita voltar suas atenções e rediscutir o papel desse profissional do ensino. Esse profissional é visto como imprescindível no comentário de Morin: “nunca haverá espaço e oportunidade para a substituição do educador inserido no campo da pedagogia crítica e da libertação” (MORIN, 2005, p. 189).
A função do professor é de tamanha grandeza, visto que parte do princípio da transmissão do conhecimento. Segundo Paulo Freire (1975, p. 170), “a função prioritária do professor merece circunscrever-se a conseguir aumentar os conhecimentos dos alunos, procurando, sobretudo que, de forma rentável, eles se preparem para desempenhos mais exigentes...”.
Ainda reportando-se á atuação do professor no contexto do ensino, Fonseca (2003, p. 178) enfatiza: o professor educador por excelência deve contribuir fortemente para que seus alunos se transformem em profissionais competentes no desempenho de suas funções junto à sociedade.
No comentário de Fonseca, sobre a atuação do professor no contexto educacional, acrescenta, afirmando, que o professor é um dos elementos mais importantes, por assumir a responsabilidade da transmissão do conhecimento e está apto para exercer suas funções tanto do ponto de vista Institucional como acadêmico (2003, p.193).
No mundo globalizado, cabe aos professores a difícil tarefa de prepararem seus alunos para adaptarem-se aos desafios vigentes e não esquecer a missão precípua da consciência à cidadania. Será importante que os professores sejam capazes de eleger certos conteúdos como mais importantes e recriar metodologias de trabalho que identificam como sendo as mais adequadas àquelas circunstâncias de trabalho. “E a consciência critica do professor, obviamente somado sua capacidade técnica que evitará produzir uma educação subserviente, uma educação bancária” (FREIRE, 1975).
Concluímos que no decorrer da história da educação brasileira, não se podem negar as mudanças que seja no campo institucional (leis, pareceres, normas, etc.), como operacional (instrumentação, técnicas, tecnologias, etc.). Algumas mudanças que refletem também na questão da educação escolar:
Nos próximos anos, o novo desafio da integração da aprendizagem eletrônica e do ensino por Internet ainda trará profundas exigências de mudança para nossos sistemas educacionais. E, além disso, nossas sociedades apresentarão novas exigências de adaptação, pedindo a nossos sistemas educacionais que respondam as demandas imprevisíveis de sociedades no qual o processo de mudança social se acelerou.
Também se percebe uma continuidade especificamente em questões ligadas às políticas públicas educacionais, ainda convivemos com uma alta taxa de analfabetismo, pouca verba, falta de uma infraestrutura (materiais escolares, prédios adequados, escassez docente, etc.), dificuldades de acesso á escola em todos os níveis de ensino (inclusive superior). No entanto, a despeito de tantos problemas no âmbito educacional, é latente a presença de setores da sociedade (principalmente estudantes), mais consciente, mais participativo, que tem se mobilizado (inclusive no aspecto político) e pressionado as classes políticas frente aos problemas existentes, causando assim a possibilidade de construirmos um Brasil de um sistema educacional que esteja disposto a romper com o atraso e construir um novo modelo de Educação.
REFERÊNCIAS
APPLE, Michael. Educação e poder. Porto Alegre: Artmed, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio: bases legais/ Ministério da Educação- Brasília: Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1999.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Porto, Afrontamento, 2. ed., 1975.
FONSECA, Selva Guimarães. A educação no Brasil numa perspectiva social e o papel do professor. Campinas, SP: Papirus, 2003.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários á educação do futuro. 10 ed.- São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2005.
Forró da Serra, você se lembra?
Nos idos anos oitenta, com características de cidade rural, Serra dos Aimorés não tinha uma festa junina, tinha muitas. Naquela época, as festas juninas aconteciam em casas de família. Quem não se lembra do Forró de Seu Bertolo Folgado. Impreterivelmente no dia 24 de Junho – Aniversário de D. Joana, sua esposa. E do forró na casa de D. Leonora e Seu Santo. Era bom demais! Havia festa por toda a cidade.
Lembro-me ainda das festas na roça. Todos amanheciam o dia dançando. Portanto, Serra dos Aimorés não tinha só um forrobodó, mas vários.
Era um prazer receber e ser recebido para uma festança. O que anunciava a festa era uma grande fogueira frente à casa festeira.
Fartura, muita fartura: biscoito, quentão, bolo de fubá, amendoim torrado, batata assada na fogueira, bolo de mandioca, milho assado na fogueira, frango assado, leitoa assada e calor humano, muito calor humano. Todos eram compadres ou comadres.
Ao final dos anos oitenta, em Serra dos Aimorés, começou-se a escrever uma nova história a respeito de festa. Centralizada no velho mercado municipal, no centro da cidade, nascia o Forró da Serra. Dava-se início a uma época áurea da nossa história.
As noites de São João eram simplesmente maravilhosas. Toda a região, ao entorno de Serra dos Aimorés, se fazia presente no Forró da Serra, abrilhantado por garbosos cavalheiros e lindas damas, advindos das cidades e estados circunvizinhos. Era a melhor festa! A mais aguardada. Todos se divertiam bastante, pois dava prazer esperar e curtir o Forró da Serra com alegria, forró no pé e muito suor.
Quem não se lembra de Moreninho – Alfredo Antero Marinho Pinto – o marcador de quadrilhas de são João. O melhor quadrilheiro da região. Era sinônimo de alegria para todas as idades. Todos dançavam quadrilha e, com que prazer faziam isso. [...] cavalheiros para a direita e dama para a esquerda... [...] caminho da roça... [...] olha o túnel... O homem era filho de Deus e Deus o levou.
Falando das barracas e barraquinhas da festa, eram todas de palha de pé de coco. Tudo natural. Quem organizava eram os professores e professoras das escolas municipais e estaduais de nossa cidade e seus alunos é claro! Cada uma delas tinha um nome de novela da globo (“A gata comeu”, “Rainha da sucata”, “Tieta”, “Renascer”, “Vereda tropical” e outras.
Era um período de rever os serrenses ausentes. O clima na cidade era enternecedor. As bandas, as músicas, o espaço, a ornamentação, a festa... tudo causava felicidade, alegria, ...inebriava. Éramos invejados por nossos vizinhos, o que nos enchia de prazer e contentamento. Éramos o centro das atenções. Mas, éramos damas e cavalheiros... e recebíamos a todos, garbosos e receptivos. O Forró da Serra era um grande coração... cabia todos os visitantes.
Espaço a céu aberto; ornamentação de palha e sucata; piso liso e cimentado, que deixava cavalheiros e damas de bota vermelha, devido o xadrez daquela cor, utilizado para encerar a pista de dança. Assim era o velho mercado municipal.
O santo é o mesmo de hoje, São João. A festa, esta ficou pelo tempo.
E imaginar que alguém pensa em viajar nesta época. Visitar parentes em outra cidade em plenos festejos de São João ou, procurar uma festa melhor em outro município, na mesma data e horário. Parecia um sonho – hoje, uma realidade.
Eu vivi o forró da serra. Você, você viveu o forró da serra. Nós vivemos o forró da serra. Nós éramos felizes e não sabíamos.
Professor Ademir Rodrigues Pereira
A valorização do professor é fator decisivo para uma educação de qualidade

Em ano eleitoral, quero levantar uma bandeira em prol da educação de qualidade. Pois, que a educação no nosso País vai mal, não é novidade. Aliás, essa é uma informação recorrente nos meios de comunicação. Principalmente, quando os dados de alguns índices de avaliação são divulgados. Isso é real. O que não é real é o fato de apontarem o professor como o único e principal responsável por essa situação. Quando, na realidade, ele é um entre tantos outros responsáveis pela educação, inclusive, o Governo e os pais. Isso mesmo, ele é um dos profissionais que atua na escola, mas não o único. Outro fator agravante é o fato de aceitarem que educação seja “doação”. Até mesmo o professor “inconscientemente” age desse modo. Pois, quando alguém pergunta a ele o que faz, o mesmo responde: “dou aula”. Quando me refiro à valorização do professor, não faço uma cobrança unilateral, apenas ao Governo, à Secretaria de Educação ou ao MEC. Cobro também a valorização pessoal do pro fessor. É preciso que ele tenha orgulho do que faz, é preciso sentir-se importante em sua tarefa, que é educar. Para isso, em primeiro lugar, o professor precisa parar de se sentir o “coitadinho” e ir à luta! Até porque quem trabalha na educação já é um “Herói”. Vocês sabem qual é a rotina de um professor? Não? Pois, todos deveriam conhecer a desgastante rotina de quem trabalha com educação, ainda mais no Brasil. Falar horas seguidas, trabalhar em pé e ter “jogo de cintura” para lidar com alunos problemáticos são desafios que exigem bastante do físico e do psicológico. E, cedo ou tarde, as más condições de trabalho resultam em problemas que comprometem a eficiência do profissional. Conforme dados consultados, o número de professores que ficam doentes a cada ano é assustador e, em função disso, milhares de faltas são abonadas uma vez que foram acarretadas em função de problemas de saúde. E, nisso, os pais também têm uma grande responsabilidade. Conheço alguns que dão graças a Deus quando mandam os filhos para a escola, pois nem eles aguentam. Sem falar que não dão o mínimo de educação para seus filhos em casa. Como pode? Lembre-se que educação vem de berço. As tarefas ficariam mais equilibradas se cada uma das partes desempe nhasse bem o seu papel: os pais educam e os professores ensinam. Embora, a grande maioria acha que as tarefas são as mesmas, mas não são. Como essas tarefas não estão equilibradas, o professor na maioria das vezes tem que se desdobrar para ensinar e fazer o papel de pai, mãe, assistente social, psicólogo, malabarista, etc., e, em função disso, é comum encontrarmos professores estressados, mal humorados, de mal com a vida, sem paciência com os alunos. Não se assustem, agora, pelos menos, temos um nome “chique” para isso, esses sintomas fazem parte da síndrome de Burnout (já que no passado, dizia-se do professor que apresentasse esses sintomas que ele estava “tãn tãn” e, recentemente, que “pirô o cabeção”). Melhor esclarecendo, a síndrome de Burnout caracteriza-se por uma excessiva exaustão física e emocional, começa com um sentimento de desconforto que aumenta, enquanto a vontade de lecionar diminui. Burnout pode ser traduzido como queimar, pifar. O principal causador da síndrome de Burnout é o estresse. E o professor tem motivos de sobra para ficar estressado. Você acha que não? Então, troque de lugar com ele a penas por um dia e depois você me fala. Governo, sociedade, pais, façam algo rápido, levantem também uma bandeira em prol da educação de qualidade, pois, caso contrário, a síndrome de Burnout, continuará a fazer vítimas.
Texto de Zélia Nolasco Freire. A educadora é formada em Letras com Licenciatura Plena, possui Doutorado em Letras pela UNESP/Assis. Professora dos Cursos de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Email:zelianolasco@uems.br
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“.... a educação formal é parte do contexto cultural da sociedade, atuando como expressão de sua continuidade e desenvolvimento. Quando a sociedade, sempre de algum modo em mudança, ou evolução, sofre uma intensificação ou aceleramento desse processo, o fator de educação, refletindo a mudança, atua como força de resistência ou de renovação, concorrendo para dificultar ou facilitar o processo de readaptação social inerente à função característica da educação dentro do processo cultural.”
" O magistério constitui uma das profissões em que a formação nunca se encerra, devendo o professor, terminado o curso regular, continuar pela prática e tirocínio o seu desenvolvimento... Hoje, além dessa prática e desse tirocínio... procura-se dar ao professor estágios, cursos e seminários destinados a apressar e sistematizar as conquistas que somente uma muito longa prática, e aos mais capazes, poderia dar. É o chamado "training in service", educação no cargo em expansão em todas as profissões de natureza, simultaneamente científica e artística."
(TEIXEIRA, Anísio. Curso, estágio e seminário para formação do professor. Entrevista. Jornal do Comércio. Rio de Janeiro, 20 abr. 1958).
Para Refletir...
Tínhamos uma aula de fisiologia na Escola de Medicina logo após a Semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e assim a excitação era geral. Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que a turma correspondeu? Que nada!
Com certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei.
Veja o que ele disse:
- Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez.
Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro. Apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de uma forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Os outros 95% servem apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.
O interessante é que esta porcentagem vale para todo mundo.
Se vocês prestarem atenção, notarão que de cem professores apenas cinco são aqueles que fazem a diferença; de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e podemos generalizar ainda mais: de cem pessoas, apenas cinco são realmente especiais.
É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nessa sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranquilo sabendo ter investido nos melhores.
Mas infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso.
Portanto terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos a aula de hoje."
Nem preciso dizer sobre o silêncio que ficou na sala e no nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso.
Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia durante todo o semestre: afinal, quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto?
Hoje não me lembro de muita coisa das aulas Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram a diferença em minha vida. De fato percebi que ele tinha razão e, desde então, tenho feito de tudo para ficar sempre no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não: só o tempo dirá a que grupo pertencemos.
Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto.
Dra. Ana Luiza Mendes Maciel (Pediatra, Hospital das Clínicas de São Bernardo SP)
Texto Fatiado
Aprendizagem Significativa
Organização: Ademir Rodrigues Pereira
1 - A aprendizagem significativa se materializa quando o professor deixa de ser um mero emissor de informações à revelia da opinião e passa à uma situação de responsabilidade maior: o professor passa a transmitir o conhecimento de tal forma que este se torne pleno de significados para o aluno, isto é, enfocando a presença daquele conteúdo que está sendo trabalhado nas situações da vida prática do aluno ou de algo que lhe cause um conjunto de sensações e/ou percepções, (GOULART, 2000).
2 - Uma aprendizagem deve ser significativa, isto é, deve ser algo significante, pleno de sentido, experiencial, para a pessoa que aprende. Uma aprendizagem auto iniciada, penetrante, avaliada pelo educando e marcada pelo desenvolvimento pessoal. (GOULART, 2000).
3 - Conceitos a serem aprendidos precisam possuir significado para que o aprendiz possa registrar a informação a ser aprendida de forma mais precisa e objetiva relacionando, assim, o que aprendeu com o contexto ao seu redor (MARQUEU, 2010).
4 - A proposta acerca da aprendizagem significativa torna-se, então, um argumento plausível acerca da utilização da interdisciplinaridade em sala de aula com o fim de serem utilizados enquanto recurso metodológico de apoio ao processo de aprendizagem.
5 - A aprendizagem significativa implicará sempre tentar assimilar explicitamente os materiais de aprendizagem [...] a conhecimentos prévios que em muitos casos consistem em teoria implícitas ou representações sociais adquiridas por processos igualmente implícitos (POZO, 2002).
6 - Ao se tentar compreender novas situações, ocorre não só uma expansão desses conhecimentos prévios, como também, como consequência desses desequilíbrios ou conflitos entre os conhecimentos prévios e a nova informação, um processo de reflexão sobre os próprios conhecimentos, que, pode dar lugar a processos de ajuste, por generalização e discriminação, ou reestruturação, ou mudança conceitual [...] dos conhecimentos prévios (POZO, 2002).
7 - Dentro de um contexto social, o nosso mundo moderno está permeado de mudanças rápidas que exigem que os educandos da atualidade possuam certas características inerentes ao mundo em que estamos vivendo. Isto é, reproduzir informações de acordo com uma instrução já ministrada já não mais surte efeito no processo de ensino e aprendizagem ou, pelo menos, a maneira exigida pelo mundo moderno de aprender minimiza os efeitos deste tipo de aprendizagem (POZO, 2002).
8 - “estar formado para a vida significa mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou identificar símbolos. Significa: saber se informar, comunicar-se, argumentar, compreender e agir; enfrentar problemas de diferentes naturezas; participar socialmente, de forma prática e solidária; ser capaz de elaborar críticas ou propostas; e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente aprendizado.”(PCN+ Ciências da Natureza, p. 9).
9 - O papel da escola e do professor não se restringe somente à facilitação no processo de aprendizagem por parte do aluno. O panorama mais abrangente refere-se a uma postura que incentive o aluno a promover mudanças significativas na sociedade em que vive. Grandes mudanças requerem grandes atitudes que, por sua vez, estão fundamentadas em uma aprendizagem sólida e com pressupostos pessoais definidos (Delors et al,1997).